Intervenção texto coletivo
- Descompanhia Demolições Artisticas ILTDA
- 9 de mar. de 2017
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Talvez pudesse falar, da minha existência, mas eu não faço a mínima ideia se eu existo, de verdade? Não saberia explicar se sou criação de alguém, sou? Deus? Mundo? Seria medonho dizer que minha vida se baseia em um personagem, um ser mitológico, inventado, recriado, cuspido. Se tenho uma vida? Não sei dizer mais uma vez, certo ou errado, sou aquele que segue um roteiro ficcional, como num filme. Vivo aventuras, me deparo com tristes realidades, absorvo uma trilha sonora, e minha alma vomita sonhos, grita como numa peça de teatro, escuto aplausos, e vaias, e críticas, e, ...De repente as cortinas se fecham, amanhece e mais um dia. Todos os dias. Eu sou uma personagem? Não! Sim! Mais uma vez, pareço uma alucinação que vai e vem, que gira e para, que canta e tosse. Quero sentir um sopro que arrepie até os contornos dos pelos para saber se realmente eu existo! Eu existo? Você poderia me enxergar de olhos abertos? Saberia decifrar as palavras que saem da minha boca? Saberia dizer se sou, o que sou neste momento? Se a risada que dou é de um ...? Se a dança que faço é o sofrimento da sua vida? Então me faça ganhar vida, cor, alma, corpo. Arte! Talvez eu viva de verdade, me tire desse papel e me rasgue quantas vezes forem necessárias para que me torne uma perfeição, não se assuste se quando levantar, você cair. Observe suas mãos! Eu! Eu não faço a mínima ideia se eu existo de verdade...Ou se sou uma criação de alguém... Uma personagem, um ser inventado, Que segue um roteiro ficcional... Como num filme ou numa peça de teatro... Eu sou uma personagem? Quem sou eu? Às vezes não me sinto em mim
Parece que fui inventado e manipulado... Algo feito... Algo que talvez nem esteja terminado... Alguém me controla, Alguém me manipula, Alguém além de mim... Que tem mais forças do que eu! Eu não sei o que fazer e nem para onde ir... Se bem que todos os lugares me parecem iguais... Uma loucura infinita de limitações Desejos reprimidos Desejos realizados Mas não sinto nada em mim Porque não sei quem sou E qual propósito tenho Sendo assim sigo esse roteiro que eu vejo Tendo vontade de fazer o meu próprio roteiro Mas eu não sei quem sou Eu existo? Eu vivo? Eu sinto? Eu? Apenas alguém que vive sem saber...'' Um ser inventado, como num filme ou numa peça de teatro. Eu sou uma personagem? ''Eu não faço a mínima ideia se eu existo de verdade. Ou se sou uma criação de alguém, uma personagem? Que segue um roteiro ficcional, simples com final feliz? Eu não faço a mínima ideia se eu existo! eu teço reteço tramo não faço falta a mínima moralia ideia eureka oasis de hienas se eu nós existo ex-isto it ex de verdade promissória ou de insepultas dúvidas se sou feito de fratura e febre uma criação carne pele suor de alguém prenha de mudez uma personagem descartada pelo autor um ser gorado inventado insuflado que segue descaminhante a bel sabor dos encruzilhamentos um roteiro passagem ficcional só aos domingos como num filme novela romance folhetim ou numa peça insone de teatro sem público eu te amo morta entre dentes crua sou uma dor alegre personagem? forasteiro eu humilde espera de olhos redemoinho existo? bissextamente Eu não faço a mínima ideia se eu existo de verdade ou se sou uma criação de alguém que acredita ou acreditou em algo melhor, uma personagem, um ser inventado, criado por outro ser maior, que segue em um roteiro que acredita ser ou não ser ficcional, como num filme ou uma peça de teatro. Eu sou uma personagem? Eu existo? Ou foi só uma criação feita pelo acaso? Sou uma metamorfose em constante intervalos tentando dissolver o absurdo que é viver...Então...será eu? Eu não faço a mínima ideia se eu existo de verdade (Existo de verdade.... Quem é a verdade? Do que ela é feita? Verdade de quem? De um mentiroso que finge ser o que não é... Um hipócrita que se faz passar por outro para conseguir lidar consigo mesmo? A verdade é que não sei a quanto tempo estou aqui....Se despertei de um sonho lúcido ou se estou numa sala de tortura...Espero que alguém, que passa por aquela porta venha me dizer o que fazer, estou em estado de esgotamento. Experimentei ser muitas coisas e agora já não sei quem sou. Existir de verdade pra quem? As palmas e os aplausos medem uma importância ou é a quantidade de ingressos que saíram da bilheteria. Não, faço arte todo o tempo, com ou sem dinheiro. Sou eu...) ou se sou uma criação de alguém, uma personagem, um ser inventado.( Parido, cagado, mal lavado, nascido, vacinado, brotado, polinizado, gerado, intoxicado pelo avesso) que segue um roteiro ficcional como num filme ou numa peça de teatro. (Máscaras com efeito de verdade, mais impactantes que a minha vida cotidiana que não conto a ninguém, apenas a interpreto exagerando alguns traços.) Eu sou uma personagem? Eu existo? (Outros dirão. Outros de mim, outros que queiram me ver presa pelo lado de fora de uma quarta parede dos meus próprios sentires por espelhos do encontro... Homem? Mulher? Não! Coragem...) ''Eu não faço a mínima ideia se eu existo de verdade ou se sou uma criação de alguém, uma personagem, um ser inventado, que segue um roteiro ficcional, como num filme ou numa peça de teatro. Se as roupas que eu visto fossem figurinos, meus trajes seriam os que melhor se moldam ao meu corpo e ao meu estado de espírito ou são os ditados por figurinistas implacáveis chamados modismo ou consumismo fugazes? Se os passos que dou na vida fossem marcações num palco, estaria eu sendo guiado por uma luz interior - só minha -, por um foco que ilumina os meus objetivos, minhas metas, meus sentidos, ou por sinais estabelecidos e marcados no chão - coreografados, ensaiados e comandados pelas regras do chamado bom viver? Aliás, este palco em que eu piso é mesmo um tablado firme e seguro ou um cadafalso mais próximo de um campo minado com areias movediças? Estas paredes, que me cercam, seriam sólidas e concretas, ou meras armações desmontáveis de seda ou papelão? Esses sinais, que soam na minha cabeça, seriam o primeiro, o segundo, o terceiro sinal que exigem que eu entre em cena na hora exata de viver a minha vida ou seriam apenas ruídos que eu insisto em não querer escutar por medo dessa mesma vida? Essa gente ao meu redor, que me observa, que me percebe e até me critica, seria uma plateia que pagaria caro pelo meu espetáculo ou apenas um bando de pessoas que me olha, mas faz absoluta questão de não me ver? E essa gente ao meu redor, que interage comigo, seria o elenco do qual eu pedi pra fazer parte? Se as palavras, que saem da minha boca, fossem um texto, minhas falas seriam improvisadas, intempestivas e naturais, que fluem exclusivamente dos meus sentimentos, da minha essência, ou meras frases decoradas e soltas, de um diálogo duro, rubricado e pontuado, em que eu só falo ou reajo de acordo com o que um tirano diretor manda? Afinal, se eu me visse refletido no espelho das emoções, qual máscara do teatro se encaixaria melhor à minha face: a pesada da tragédia ou a leve da comédia? Eu sou ou não uma personagem? Eu não existo? Como poderei ter as respostas diante de tantas dúvidas? A minha única certeza é a incerteza de ser quem eu sou. Serei eu protagonista de uma história que não sei desvendar?